Protocolo HSN: Destruindo a gordura (V)


Depois de ter visto como podemos introduzir refeições fora do grupo "alimentos " limpos", a importância de dias ricos em carboidratos, ciclar calorias e da influência da estimulação no tecido adiposo castanho, chegamos à última parte, onde tentarei o efeito a nível dos adipócitos (células de gordura). A perilipina é uma proteína localizada na membrana das gotas lipídicas em adipocitos1, a qual forma uma das chaves para abrir as nossas reservas de gordura e usá-las sem dificuldade. Isso ajuda a que a atividade das lipases (enzimas que degradam os lípidos) seja muito mais elevado, graças, em grande parte, a uma maior facilidade para que ocorra essa degradação. Se você olhar para o esquema observamos como a gota de "gordura" está localizado perto da PKA (uma cinase) que atua sobre a perilipina e sobre a HSL (Hormônio sensível à lipase). Esta é uma frase que soa a Wikipédia e que para muitos pode parecer chato, se torna mais interessante quando digo que ambas aumentam a mobilização das gorduras 50 vezes superior ao normal. Como conseguir isso? Pois através da actividade b-adrenergicas e de alguns alfa-bloqueadores. Se vos lembrais de que a parte anterior, comentei como a célula de gordura (adipocito) tinham os receptores alfa e beta, onde: o que nos interessa, substâncias que bloqueiam os receptores alfa ou que atuem sobre os receptores beta. Agora o parágrafo anterior tem mais sentido né? Algumas destas substâncias as encontramos no nosso organismo, como a adrenalina (epinefrina), a qual se vê que aumenta a irrigação sanguínea no tecido adiposo, mais conhecido como "barriga" ou "cartucheiras". Isso é de grande importância, já que, como já comentado na parte anterior, as partes "gorduras" de onde menos sangue cheguem serão aquelas onde menos triglicérides (ap) e, portanto, onde podemos armazenar mais gordura. Cabe destacar, que de nada adianta aumentar a lipólise (degradação da gordura) se não aumentamos a beta-oxidação (utilização da gordura como combustível), ou o que é o mesmo, se uma pessoa se inyectase adrenalina e, em seguida, se ficasse sentada em sua poltrona, com certeza não estaria queimando a gordura, porque tal como se livram dos triglicerídeos na corrente sanguínea voltam a ser armazenados por sua baixa utilização. É por esta razão que precisamos aumentar a beta-oxidação, se queremos beneficiar dessa maior lipólise. Qual a solução? Aumentar o número de mitocôndrias, que é onde se usa a gordura como combustível, para que vos torneis uma idéia, são os "fornos" a nível celular. Este aumento de mitocôndrias é alcançada quando submetido a estresse nosso organismo, aumentando os nossos níveis de lactato6. Diante de um exercício de alta intensidade, como pesos a altas repetições com cargas, ou de circuitos baseados em HIIT, o nosso corpo fica enfraquecido, pondo em marcha mecanismos para evitar o "esgotamento". Este processo segue o mesmo mecanismo que a hipertrofia muscular ou a supercompensação de glicogênio, já sabeis, o seu corpo se dá conta de que é fraco diante de uma situação de emergência e busca formas de se tornar mais resistente, nisto se baseia a maioria dos processos que melhoram o desempenho, o que, para o corpo é a sobrevivência. Para fazer um pequeno resumo até agora temos visto: Grande conhecida por todos, a cafeína é uma das substâncias que aumenta os níveis de adrenalina ,agindo sobre os receptores beta-adrenérgicos, daí que em um grupo de pessoas pode sofrer de taquicardia ou arritmias ao consumo de café ou bebidas com alto teor de cafeína. Alguns estudos mostram que com o consumo de cafeína, os níveis de triglicerídeos são um 150% maiores em comparação com o grupo que toma descafeinado7. Este aumento dos triglicerídeos significa que o organismo está a fazer um maior uso do metabolismo das gorduras, algo que pode interessar muito em pessoas com dietas ricas em carboidratos, para aumentar a flexibilidade metabólica. Realmente não existe uma quantidade mínima de cafeína, já que depende da tolerância do sujeito, mas se tivesse que escolher uma dose de início, eligiría uma dose entre 3-4mg de cafeína/kg corporal de sujeito sem excesso de peso. Isto significa que uma pessoa de 70kg deve consumir entre 210-280mg de cafeína, chegando a um limite de 6mg de cafeína/kg corporal, sem efeitos colaterais, alguns, como demonstra o estudo de Jacobs8. Como alguns sabem, sou partidário da combinação EGCG (componente do chá) e cafeína, que atuam de forma sinérgica. Apesar de existirem vários estudos que duvidam da eficácia das catequinas do chá verde, a minha opinião é que muitos ensaios utilizam uma dose muito menor do que realmente se deve usar para ver estes efeitos. A dose para combinar de EGCG deve ser entre 300-500mg chegando a 800mg se tomada de forma isolada. Desta forma conseguiremos uma maior oxidação de gorduras, além de uma maior sensibilidade à insulina. A ioimbina é uma das substâncias que atuam como antagonista dos receptores ?-adrenergicos. Seu uso é conhecido dentro da farmacologia como um tratamento para a disfunsión erétil, além de potenciador da libido. Ao agir sobre os receptores beta-adrenérgicos, ocorre um aumento da liberação de NA (noradrenalina) por mecaismo feed-back. Ao agir como antagonista dos receptores alfa-2, ocorre num ambiente em adipocito o que contribui para um aumento da utilização de gordura a nível do tecido adiposo, favorecendo, assim, a perda de gordura. Estudos em indivíduos que praticam exercício, demonstraram que com uma dose de 20mg de ioimbina, uma redução de 2,2% de gordura maior que os sujeitos com placebo12. Neste mesmo estudo, foi comprovado que não havia efeitos colaterais, ou um desempenho menor ou massa magra. Minha opinião é que o efeito adrenérgico protege a musculatura, diminuindo a proteolisis muscular, graças ao efeito causado pela amp cíclico(13) (a qual aparece no primeiro esquema acima). Ao contrário da cafeína, a ioimbina se tem uma quantidade mínima à qual começa o seu efeito sobre o tecido adiposo. Alguns estudos demonstram que uma dose de 0,2 mg/kg corporal é suficiente para aumentar de 40% a 50% os níveis de noradrenalina14. Neste mesmo estudo verificou-se que a ingestão de alimentos diminui, em sua quase totalidade os efeitos a nível de gordura por parte da yohimina, pelo que apenas teria interesse se o seu consumo é em jejum, antes do exercício. Não há que esquecer que falamos como uma droga, onde a sua estreita margem terapêutica torna-se uma substância difícil de lidar. Seu efeito sobre a liberação de noradrenalina aumenta o efeito cronotrópico e ionotrópico a nível cardíaco, o que pode produzir taquicardia, arritmias, aumento da pressão sangüínea, chegando a produzir tonturas e ansiedade em altas doses, fazendo com que aquelas pessoas que sofrem de hipertensão nunca devem tomar esta substância. Apenas quero salientar que a actividade da sinefrina é 3,5 vezes maior do que a octopamina15, onde ambas se viram ajudar a mobilização das gorduras de forma eficaz16. A higenamina é uma substância isolada de certas frutas (laranja), cuja actividade se centra a nível dos beta-receptores, o que tem certa semelhança com a sinefrina. Tal é a sua semelhança, que a dose é muito semelhante (entre 20-30mg 2 vezes por dia), sempre e quando consumidas de forma separada. Infelizmente, não há nenhum estudo que demonstre de forma clara a relação higenamina-perda de gordura, embora se supõe devido à sua atividade beta-adrenérgica. No entanto, desconhecemos a "selectividade" desta substância pelos receptores a nível do tecido adiposo, o que talvez seja necessária uma dose "tóxico" para o exercício de uma função "queima-gorduras". Isto a transforma em uma substância de 2º escolha na hora de tratar a obesidade, pelo menos até que tenham estudos mais conclusivos, como é o caso da sinefrina ou a ioimbina. Dito isto, só me resta dizer adeus, e agradecer a todos o grande acolhimento que teve este protocolo. Espero que você possa me enviar as vossas fotos do antes e depois, para no futuro poder atualizar este protocolo. Parte 4 Dieta